Quadro de S Francisco de Assis em Talha Dourada.
A pintura representa São Francisco de Assis, uma figura icónica conhecida pela sua conexão com a natureza e os animais, bem como pela sua perspetiva sobre a mortalidade.
Detalhes da Pintura
- Identidade: A figura central é São Francisco de Assis, o santo padroeiro dos animais.
- Simbolismo: Ele é frequentemente retratado com uma caveira numa das mãos, simbolizando a morte, um elemento central na ordem franciscana. São Francisco via a morte não como uma inimiga, mas como uma "irmã", uma passagem necessária da vida humana para Deus.
- Iconografia: A presença de pássaros na pintura reflete a conhecida história de São Francisco a pregar aos animais do bosque, um tema comum na sua iconografia.
- Estilo e Origem: Pinturas semelhantes a esta, muitas vezes em estilo de arte popular ou colonial, são encontradas em várias coleções e leilões, com algumas descrições a atribuí-las à escola de Cuzco ou a artistas anónimos.
A pintura parece ser uma obra de arte colonial andina, especificamente do estilo da Escola de Cuzco (Cusquenha), que floresceu nos Andes durante os séculos XVII e XVIII. Este estilo é notável por:
- Combinação Cultural: Mistura técnicas de pintura europeias (espanhola, flamenga e italiana) com a expressão e visão de mundo dos pintores nativos andinos.
- Anonimato e Estilo Ingénuo: Muitos artistas desta escola, especialmente após certas divisões de guildas, pintaram num estilo mais ingénuo e muitas vezes anónimo, como parece ser o caso desta obra.
- Temática Religiosa: Foca-se fortemente em temas católicos, usados para catequese durante o período colonial.
- Iconografia Específica: As representações de São Francisco de Assis nesta época frequentemente incluíam a caveira como um símbolo proeminente da mortalidade, um elemento comum na arte da Contrarreforma.
A falta de auréola proeminente e a representação do santo de pé também são consistentes com as tendências iconográficas pós-1580.
A Escola de Cuzco, um proeminente movimento artístico colonial que floresceu na região Andina (atuais Peru, Bolívia, Chile e Equador) entre os séculos XVI e XVIII, possui características distintas que resultaram da fusão das culturas europeia e indígena.
Principais Características
- Temática Exclusivamente Religiosa: As obras focavam-se em temas católicos, como anjos, santos e a Virgem Maria, servindo como uma ferramenta de catequese.
- Ausência de Perspetiva Linear: Ao contrário da arte renascentista europeia, as pinturas da Escola de Cuzco frequentemente careciam de profundidade e perspetiva académica, resultando em formas mais planas e bidimensionais.
- Paleta de Cores Vivas e Ricas: Os artistas usavam cores dramáticas e brilhantes, como vermelhos, amarelos e tons terrosos, que se afastavam das paletas mais suaves europeias.
- Uso Abundante de Folha de Ouro: Era comum a aplicação profusa de folha de ouro, especialmente nos halos das figuras santas e para imitar a riqueza de brocados e joias, adicionando um aspeto suntuoso às obras.
- Integração de Elementos Nativos: Os artistas nativos e mestiços incorporaram a flora e fauna locais como pano de fundo em suas pinturas, como pássaros exóticos e paisagens andinas.
- Anonimato dos Artistas: Após a cisão das guildas de pintores em 1688, muitos artistas indígenas e mestiços trabalharam anonimamente, desenvolvendo um estilo mais livre e ingénuo, menos ditado por regras académicas europeias.
- Influências Diversas: O estilo combinou influências da pintura espanhola, flamenga e italiana, que chegaram à colónia através de gravuras e missionários.
